27 Junho 2008

Visita de médico

Essa semana eu fiz 24 anos e resolvi voltar aqui. Essas datas de aniversário pedem um tempo para você pensar no rumo que sua vida tomou. Fiquei pensando nos tempo áureos do Blog, quando eu era um adolescente tardio sem nada para fazer. E hoje, engraçado, eu não tive o que fazer. Eu nem saí de casa. Da cama para a cama passando por no máximo pela cozinha. Hoje eu recebi o resultado de um concurso público, fiquei em 19º, mas eram apenas 3 vagas. Fiquei lembrando dos tempos em que eu passava noites conversando com a Bel, nos tempos depois que eu e Joana nos aproximamos. Lembrei de que TODAS as minhas tardes era preenchida pela Vanessa.

Eu tinha largado a faculdade e não sabia o que fazer. Estava perdido e sem rumo, mas descarregava toda aquela intensidade no blog. Depois que eu comecei a relaxar um pouco, depois que eu conheci a Julia, fui me centrando e meu foco podia sair um pouco daqui. O Blog tinha começado a perder a sua importância histórica.

Eu comecei a trabalhar no Making Of, os horários eram caóticos e meus contatos de MSN foram sendo abandonados aos poucos. Eu comecei um curso na Barra da Tijuca e fui um dos melhores alunos, um dos mais dedicados. Antes eu era eliminado na primeira fase de todo concurso e/ou emprego que eu tentasse, ou vestibular. Foram dois que tomei um ferro grande enquanto tentava me reerguer.

Mas hoje eu sempre sou chamado para a fase final dos processos seletivos, e se não passo, pelo menos fico em 19º de um concurso disputadíssimo, o que seria impensável a 2 anos atrás.

HOJE EU SEI QUEM EU SOU, o que eu posso e o que não posso. Hoje eu posso chegar perto dos meus limites sem medo de me machucar. Pelo contrário, hoje eu posso aos poucos, expandir as fronteiras da minha capacidade. Foi um período em que eu deixei de escrever. Aprendi muito mais a aprender. Pode parecer besteira, mas eu cospia escritos como dono da verdade, o que não sou. Hoje aprendi a aprender porque observar é uma arte que eu tinha talento, mas não tinha técnica. Sempre fui bom nas entrelinhas, hoje eu as trato naturalmente, sem esforço. Eu sou muito mais forte do que era, sei tomar socos metafóricos com muito mais resistência e tenho as vezes idéias para mudar o mundo, ou ao menos o meu mundo. Esse espeço aqui por um tempo centralizou todos os meu sentimentos, era como uma caixinha transparente que eu colocava meus sentimentos e todo mundo via. Nada apagará um dia ter sido apresentado como "O dono do blog Sonambulismo", como já fui.

E vi que entrar nesse espaço aqui é como um pianista adentrar um antigo Jazz Club depois de 10 anos desativado. Ele passa a mão no piano no canto do palco e imediatamente vem na cabeça dele uma noite de casa cheia que aconteceu. Eu lembro da Patrícia me chamando de gay, do Guilherme se fazendo de pobre coitado, do Dante fazendo alguma piadinha, das ocasionais visitas do Ronald Rios; A Thais sendo melosa; A Nanda sempre presente, a Suelen comentando em todos os post; A Patrícia (de novo essa vaca) criando barraco com outras visitantes na caixinha de comentários, e as pessoas pulando o post e indo direto ver a briga; o Baco e suas tiradas irrespondíveis, o Eric, a Gabi, a Blogagi; A Rosa marcando presença, o Yama sempre chegando de voadora, a Sahra reclamando de alguma coisa; O Falcão sempre sendo pertinente, a Gabi sempre dando força, a Irianne sempre rindo de tudo e sempre linda...

Mas eu não sou um pianista de Jazz, só entrei aqui porque essa semana eu fiz 24 anos, fiquei em 19º em um concurso, alguém resolveu comentar no post anterior anos depois dele estar definido e eu sei lá, seni saudade e resolvi fazer essa visita de médico. Confesso que pensei em voltar, mas acho que vai ficar só nesse post, como naqueles quadros da TV que promovem uma volta ao passado. Ainda estou decidindo, porque acho que só volto para blogs se for para o Sonambulismo. Talvez esse texto e os comentários ajudem a decidir ;)

postado por Diego Paiva às 4:50 AM -
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20 Janeiro 2007

O Fim

Obrigado a todo mundo que leu, xingou, falou bem, comentou, só passou, veio fazer spam, eu nunca gostei dessa de "escrever para mim", então todas as pessoas que giravam em volta do blog são importantes para ele.

Obrigado ao amigos que passam sempre, não comentam sempre, mas conversam sobre o que escrevi ao vivo, e que me fizeram o meu ego um pouquinho inflado.

Um obrigado enorme para Jack McFool e Marcely e sua amiga, personagens feitos com o coração, e muito mais do que reais para mim. Quase extensões da minha alma.

Obrigado a todo mundo que sempre ajudou a resolver problemas com os templates daqui, como o Gustavo, a Joana e outros. E um obrigado especialmente dedicado a Joana e a Bel, por textos, por dicas, por serem pessoas fantásticas e por me ensinarem muito sobre como ser homem.

E principalmente obrigado a todo mundo, real ou imaginário, que serviu de tema para algum post aqui, mesmo bom ou ruim, isso aqui por mais de dois anos foi um espelho da minha vida, de como eu vivia, do que eu pensava e do que eu sentia. Todo pesonagem pega emprestado algo do autor, e isso aqui não foi diferente. O blog me ajudou em muitos momentos a colocar os pensamentos em ordem, mas já não ajuda mais como antes, sinal de que parou na hora certa. Obrigado a quem me deu a experiência de vida para escrever as séries "Amar Dói", "Para entender as mulheres" e "Homem, esse babaca".

E obrigado ao blog, por colocar tantos amigos e falsos amigos virtuais, que viraram amigos reais, como Bruninho, Patrícia e muitos outros. E também por terem gerado filhos prematuros, mas que foram divertidos enquanto duraram, o "Bloggy Fairy Tale" e o "Estamos Aonde". Esse último, inclusive, não foi descartado, só vai ser reformulado e ainda será concluído, desde o começo, de outra forma, com outra linguagem. É a idéia mais promissora que já tive, não posso descartar para sempre.

***

Não é charme, não é vontade de aparecer, não é nada disso. É impulso, talvez. Mas a vontade de escrever aqui acabou, escrever sobre sobre a capa de um rapaz recém-saído da adolescência. Está na hora de deixar de ter sonambulismo e acordar e dormir nos horários certos. Está na hora de escrever um livro de verdade, de ter projetos de verdade, de ganhar dinheiro escrevendo - de verdade.

O que acontece é que blog é uma ferramenta crua, qualquer imbecil faz um, qualquer um junta 20 pessoas e coloca para escrever aleatoriamente. Estou entrando em um projeto mais organizado, mas com rédeas. A livre escrita não funciona mais para mim.

Teoricamente, dirão que isso é perfeitamente compatível com um blog. Mas não comigo. Porque em parte ando sem idéias, e em outra parte porque a menor idéia que tenho vinha para cá em vez de me ajudar em algo maior. É como se eu estivesse vestindo uma blusa muito apertada depois de crescer. Estava passando da hora e comprar um número maior, e eu sinto que o momento é esse.

Não é uma despedida do mundo dos textos via Internet, mas o Sonambulismo está morto, não vou ficar escrevendo sobre o fim do blog para depois criar um igual com um "2" na frente. Os arquivos vão ficar aí por um tempo já foram apagados. 390 posts guardados em backups, mas fechados ao público. Para quem sabe, um dia retrabalhar em algumas boas idéias que estavam aqui.

Aquele abraço.

postado por Diego Paiva às 10:30 PM -
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Quem?


Diego Paiva tem 22 anos e mora no Rio, mas a coisa mais importante que você deve saber dele é que nunca bebeu na mesa de bar com o pai do Jack do Lost. Também escreve a série "Estamos Aonde?"

Imagem atual do topo: Pirokachu, Pokemón sedento por punições.



Quando?


  • Janeiro 2007
  • Junho 2008



  • Como?





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